quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pra onde ir?

Ernesto era um rapaz modesto. Um rapaz modesto e incrivelmente sonhador. Ernesto fazia coisas que Deus duvidaria, caso existisse. Ernesto nunca acreditou em divindades. Ernesto certa vez escreveu uma carta que nunca enviou. A propósito, Ernesto escreveu a carta para ninguém. A seguir, leia a carta de Ernesto:

"O dia esteve cinza e tudo passou. Na verdade, nem tudo, mas isso nunca foi problema. Não posso imaginar outra vida para mim além desta que eu posso visualizar agora e ouvir agora. Nada pode ser melhor, principalmente neste segundo. Não demora muito pra chegar o dia que eu espero há anos. Preciso desse dia, é pra ontem. A voz é perfeita e o dia é frio e cinza como eu sempre quis mostrar ao mundo. O dia vai chegar, é cada vez mais um fato.
Sei exatamente onde ela está mas a dificuldade é absurda. A flor do dia está desabrochando em plena madrugada.
Sorrindo, sonhando, sofrendo, sangrando, somente sinto suas silhuetas sonoras singrando sempre sentido sul.
Não desista minha amiga. Você tem um futuro brilhante e a capacidade de viver feliz e bem-sucedida enquanto eu dou risadas e procuro preencher o vazio que hoje toma conta de mim. Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa."

Assim terminou a carta que Ernesto escreveu pra ninguém e nunca enviou. Ernesto as vezes é meio estranho, as vezes precisa de ajuda e as pessoas não percebem. Tenho quase certeza que Ernesto vai escrever mais cartas pra ninguém.

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