segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma Pedra chamada Valerie

Valerie era uma garota porto-alegrense, ela era a tradução da palavra arte. Seu próprio nome parecia ter saido de um romance francês. A cor dos cabelos encaracolados era a mesma cor dos pelos dos mais belos e valentes leões do mundo e ela era corajosa e forte como eles, que combinavam perfeitamente com os lindos e sempre bem maquiados e claros olhos castanhos. Ao falar, parecia ter um dialeto próprio. Falava como os grandes da literura passada escreviam os dialogos de seus livros.
Valerie conseguia expor os seus pensamentos em forma de pinturas. Grandes e belos quadros sempre maravilhavam as poucas pessoas que tinham o prazer de vê-los.
Existem algumas vezes em que nós fazemos coisas, que parecem ser outras coisas, e isso não significa que elas sejam. Desse modo, a menos que tenhamos por perto pessoas que acreditem sempre que as coisas que falamos são verdades incontestáveis, perdemos a nossa liberdade de pensamento e de expressão. Isso era provavelmente a coisa que mais entristecia Valerie. De uns tempos pra cá, ela tinha perdido a sua liberdade. Ela não podia pintar o que quisesse, pois tinha sempre que se preocupar com o que iria parecer ser o significado das suas obras, quando na maioria das vezes ninguém estava perto de entender. Pensava em pensar nos outros até que pensou que isso prejudicaria os seus pensamentos e então parou. Como poderiam, seus amores duvidarem do que ela dizia ser verdade? Sempre soube-se que amor sem confiança não existe. A arte era a coisa mais importante da vida de Valerie, e ela não se conformava de que as pessoas tivessem a pretensão de que ela usaria de seu talento para dizer alguma coisa para alguém. Se quisesse falar algo, falaria, com a boca. Então Valerie, deixou de amar. Agora ela era apenas uma garota que não amava ninguém. Amava apenas a sua arte, e as suas criações se amavam entre si. Suas pinturas agora mostravam o amor como ele nunca tinha sido visto antes, e em breve as pessoas pensariam que ela estaria apaixonada, pois todas as pessoas pensam demais. As pessoas diziam que ela amava, porém, talvez ela nunca mais tivesse capacidade para tal coisa.

Um comentário:

  1. Ainda bem que as tuas histórias são fictícias. Mas se esse é o fim, é bom.

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