Valerie conseguia expor os seus pensamentos em forma de pinturas. Grandes e belos quadros sempre maravilhavam as poucas pessoas que tinham o prazer de vê-los.
Existem algumas vezes em que nós fazemos coisas, que parecem ser outras coisas, e isso não significa que elas sejam. Desse modo, a menos que tenhamos por perto pessoas que acreditem sempre que as coisas que falamos são verdades incontestáveis, perdemos a nossa liberdade de pensamento e de expressão. Isso era provavelmente a coisa que mais entristecia Valerie. De uns tempos pra cá, ela tinha perdido a sua liberdade. Ela não podia pintar o que quisesse, pois tinha sempre que se preocupar com o que iria parecer ser o significado das suas obras, quando na maioria das vezes ninguém estava perto de entender. Pensava em pensar nos outros até que pensou que isso prejudicaria os seus pensamentos e então parou. Como poderiam, seus amores duvidarem do que ela dizia ser verdade? Sempre soube-se que amor sem confiança não existe. A arte era a coisa mais importante da vida de Valerie, e ela não se conformava de que as pessoas tivessem a pretensão de que ela usaria de seu talento para dizer alguma coisa para alguém. Se quisesse falar algo, falaria, com a boca. Então Valerie, deixou de amar. Agora ela era apenas uma garota que não amava ninguém. Amava apenas a sua arte, e as suas criações se amavam entre si. Suas pinturas agora mostravam o amor como ele nunca tinha sido visto antes, e em breve as pessoas pensariam que ela estaria apaixonada, pois todas as pessoas pensam demais. As pessoas diziam que ela amava, porém, talvez ela nunca mais tivesse capacidade para tal coisa.

