sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ocidente

Ela me disse que se chamava Brenda e eu acreditei.
Ela disse estudava cinema, que sonhava em morar fora, que tinha perdido a mãe e que não se dava bem com o pai e com os irmãos.
Ela me disse que trabalhava numa pequena rede de televisão como redatora de um programa de noticias bizarras.
Disse que estava na festa porque sempre a freqüentava, gostava do ambiente e de ter um lugar onde pudesse ouvir musica boa no meio de tanta coisa ruim.
Dizia ela que não gostava de beber cerveja, que tomava apenas destilados e no meio da pronuncia da palvra "destilados" eu era um escravo da garota.
Falou sobre o livro que estava lendo, algo a respeito de um rapaz que saía de um local em peregrinação pelo mundo inteiro atrás de um tesouro que estava escondido em sua casa. Não prestei atenção nem no nome do livro e nem no nome do autor.
Disse que tinha muita gente no bar e me perguntou se não queria ir para outro lugar.
Contou no carro que perdera um amigo recentemente em um acidente.
Disse que queria me beijar e o fez.
Perguntou como eu gostava mais, assim que chegamos no motel.
Falou, gritou, mordeu o travesseiro, apertou o colchão com as mão e a minha cintura com as pernas.
Disse que não se achava uma moça bonita, mas era linda.
Falou que não sentira dor nenhuma quando fez as tatuagens.
Disse que precisava ir embora e que não precisava que eu à levasse.
Disse que me encontraria no outro dia, no mesmo bar, no mesmo horário.
Disse que estava adorando me ver todos os dias durante uma semana.
Disse que estava sentindo algo diferente, que crescia cada a cada novo encontro, que gostava mais de mim do que gostara de qualquer outra pessoa, que me amava.
Falou que me amava.
Não apareceu no bar no outro dia, e nem nos próximos.
Sumiu simplismente.
Falou que me amava e era mentira, e depois que tudo o que aconteceu foram todas as coisas que ela disse, já não podia mais acreditar em nada que ela dissera, só me sobrara a lembrança do sexo.
Ela me disse que se chamava Brenda e me disse que amava e eu não acredito em mais nada.