A carta fora achada. Ele cravou a carta no seu travesseiro com a caneta que provavelmente teria usado para escrevê-la. No rádio tocava uma compilação de músicas do Copeland e a não ser pela música e a densidade da cena de uma carta que fora cravada em um travesseiro com uma caneta, a casa estava exatamente como sempre fora. Tinha coisas jogadas pelo chão por cima de outras coisas, insetos por todos os lados. As marcas de infiltração na parede mais pareciam obras de arte outrora pintadas pelos seus próprios olhos quando passava horas apenas conversando com Valérie e olhando para as paredes. Algumas das marcas pareciam ao mesmo tempo demônios de sua mente e indefesos animais a passear pelo cimento umedecido.
“Como a mente pode reagir quando por mais que você tente se convencer que ainda tem razões suficientemente boas para continuar a viver, a vida insiste em pregar na sua cara o quadro da solidão? Você pode sim, muitas vezes comprar um kit de felicidade instantânea e se sentir como se tivesse tomado Felix Felicis onde por alguns minutos, você se sente muito melhor. Por fim acabo achando que heroína e o amor são a mesma coisa. A mesma ilusão, a mesma maravilhosa sensação de mentira que dura apenas minutos. Corrijam-me se eu estiver errado, quando nos encontrarmos no inferno!
Dionísio”
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